F.

the only failure is when you say "i give up"

E lá vai ela…(II) 24 24UTC novembro 24UTC 2009

Filed under: Uncategorized — fernandamurbach @ 10:23 PM

Sem dúvidas abrir a porta e caminhar foi a melhor coisa que ela poderia ter feito, ainda mais depois de pensar por tanto tempo… Quando andava, muitos pensamentos ainda confundiam sua mente, junto com ela caminhavam o diabinho e o anjinho, cada um tentando dar sua opinião e trazê-la para o seu lado, mas nada faria ela mudar de idéia, tentar algum outro caminho ou deixar a situação como está. Quando finalmente foi revelar tudo o que passava na sua cabeça, era como se o mundo estivesse rodando rapidamente, seu coração palpitava freneticamente e ficaria tentada a desistir e esquecer dessa história mirabolante… Mas lembrou-se que ele havia feito uma proposta quando as coisas já não iam muito bem, com um tom de brincadeira “E se a gente simplismente reconhecesse que nosso relacionamento é ruim, e mesmo assim ficasse junto ? Se admitisse que a gente enlouquece um ao outro, que está sempre brigando, mas não consegue viver um sem o outro, por isso aguenta tudo? Daí a gente poderia passar a vida inteira junto…infelizes, mas felizes por não estarmos separados” E pensou que se já tivesse pensado tanto nisso, seria uma prova de quanto ele a consome profundamente, de como é absurdo o modo que devoravam as almas um do outro, mas então, um poderia mudar, e já se esqueceu que pessoas não mudam.

Depois dessa lembrança era mais do que certo como essa relação a consumia, poderia existir tudo nela: amor, paixão, tesão, amizade, desejo, saudade, afeto, carinho e zelo. Mas, principalmente existia o abuso (só faltava o alerta do ministério da saúde) tudo naquela relação era demais, o desejo dele, a paixão dela, o tesão deles, a saudade, o afeto…tudo começou a ficar intensivo demais, e era hora de dizer adeus.

Ela pensou consigo mesma “Tem sido difícil até imaginar que nunca haverá nenhuma outra viagem de carro com meu companheiro de viagem preferido, que vou encostar no meio-fio em frente à casa dele com as janelas abertas e Bruce Springsteen tocando no rádio, um estoque imenso de papo-furado e besteiras para comer nunca mais em cima do banco, e infinitos destinos desapontando na auto-estrada. Mas como posso aceitar essa felicidade, quando ela vem acompanhada de um lado tão sombrio – um isolamento acachapante, uma insegurança corrosiva, um ressentimento insidioso e, é claro, a completa desintegração do meu ser que inevitavelmente acontece quando ele pára de dar e começa a levar embora. Não consigo fazer isso”

E ela falou, falou durante horas, enquanto falava chorou e riu. Foi difícil, ele aceitou, também sentia o mesmo (por sorte, ela pensou) e deixando para trás todos aqueles sentimentos enrrolados, confusos e misturados e se deu, finalmente, uma chance para ser feliz. Enquanto voltava para casa, o alívio era enorme, pensava que deveria ter emagrecido uns 10 kg, mas era simplismente seu coração mais leve, porém, as lágrimas saíam dos seus olhos sem pudor algum. A única coisa que ela tentava se concentrar, para quem sabe melhorar era: “Eu não conseguiria continuar fazendo isso, eu não consigo fazer isso, eu não consigo fazer isso.” E por fim, sorriu.

 

 

(Trechos em itálico tirados do livro: GILBERT, Elizabeth. Comer, Rezar, Amar, 2008. – Capítulo 28, páginas 89, 91 e 92)

 

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